segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Os Novos Baianos

http://abracadabra-br2.blogspot.com.br/2012/06/novos-baianos-caia-na-estrada-e-perigas.html
Tudo começou no Teatro Vila Velha (Salvador - BA) com o espetáculo "O Desembarque dos Bichos Depois do Dilúvio Universal". Os participantes: Luiz Dias Galvão, engenheiro agrônomo formado e praticante, poeta, aficionado por música, cinema e teatro, 32 anos; Antônio Carlos de Morais Pires, 21 anos de audição do alto-falante de Turiassu, no interior da Bahia; Paulo Roberto de Figueiredo, engresso da cidadania de santa Inês e ex-crooner da Orquesta Avanço, presença obrigatória nos bailes da região de Salvador, 23 anos, apelidado de La Bouche ou Paulinho Boca de Cantor; a niteroiense Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade, recém-chegada a Salvador, onde comemoraria seus dezessete anos morando debaixo da ponte; Jorginho, Carlinhos, Lico e Pedro Anibal de Oliveira Gomes, o Pepeu, que integravam a banda de apoio, os Leif's. Com exceção de Bernadete, todos baianos e todos ilustres desconhecidos, estranhos, radicais, acintosos e novos. Era o início dos Novos Baianos, em pleno caos de 1969. 

Baby, menina-problema de Niterói- costumava estudar no telhado de sua casa de vila e, à noite, ficava admirando em seu quarto um poster de Brigitte Bardot, remoendo silenciosa um desejo de ter as iniciais tão marcantes: BB. Sonhava, como tantas em sua idade, ser artista, cantora, merecer posters com suas iniciais. O nome não ajudava e o ginásio atrapalhava ainda mais. Num rasgo de liberação, vai com sua amiga, Ediane, passar as férias em Salvador, onde conhece Galvão e Moraes no "bar mais quente de lá", o Brasa. Galvão e Moraes haviam sido apresentados pelo cantor e compositor Tom Zé, amigo de Galvão desde que este lhe fez um projeto para o jardim de sua casa. Moraes, saído de um curso de percurssão no Seminário de Música da Bahia (não havia vaga de violão, seu instrumento), também conhecia Tom Zé, com quem fazia um show no Teatro Vila Velha. 

Paulinho La Bouche, interiorano de chances novas na música, também conhece a tríade baiana e junta-se a eles na pensão de Dona Maritó. E de todos que formariam mais tarde os Novos Baianos, Pepeu era indiscutivelmente o músico, mestre da guitarra, dono de um estilo desde então inconfundível, genuinamente brasileiro. E era, ainda, o único veterano no sentido escrito da palavra, pois já havia passado por alguns grupos anteriormente, entre eles Os Minos, onde permaneceu tocando contrabaixo por quatro anos - momento raro registrado em compacto pela Copacabana em 1966: Febre de Minos e Fingindo me Amar. Junto com seu irmão Jorginho e os amigos Lico e Carlinhos, funda Os Leif's. 

Foi Gilberto Gil que lançou Pepeu como guitarrista, o convidando para tocar com ele e Caetano Veloso no show de despedida no Teatro Castro Alves, o Barra 69. Gil viu Pepeu num programa da TV Salvador acompanhando Moras Moreira em São Paulo, ligou para a estação, achou seu endereço e foi buscá-lo em casa. 

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Em pleno caos de 1969, em meio às runínas das bananas e da antropofagia renascentista do tropicalismo, que surgem os malandros, loucos e imprevisíveis Novos Baianos. Novos porque pós-Gil e Caetano; baianos porque sim. Ou, como conta Pepeu, porque o grupo ia se apresentar na Record e ainda não tinha nome; então, na hora deles entrarem em cena, um funcionário da emissora gritou: - Chama aí esses novos baianos! 
galera, taí u disco nacional que merece respeito, Pepeu Gomes impecável, como sempre, o cara tem uma leveza nos dedos que é F......, escutem e degustem essa pérola dos anos 70, e vai dizer que eu sou saudosita, mas me mostrem alguma coisa boa, esses cara tinham criatividade galera......

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